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O que são as vacinas V8 e V10 para cães?

Entenda a diferença entre as vacinas V8 e V10, as doenças fatais que elas previnem, como a cinomose e a parvovirose, e o protocolo ideal para filhotes.

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O que são as vacinas V8 e V10 para cães?

As vacinas múltiplas, conhecidas comercialmente como V8 (Óctupla) e V10 (Déctupla), são os pilares da medicina preventiva veterinária. Elas são formulações biológicas projetadas para estimular o sistema imunológico do cão a produzir anticorpos contra os principais e mais letais agentes infecciosos que acometem a espécie canina.

Ao invés de aplicar uma injeção para cada doença, essas vacinas combinam antígenos atenuados ou inativados de diversos vírus e bactérias em uma única dose.

Quando o organismo do animal entra em contato com esses antígenos, ele cria uma memória imunológica. Assim, caso o cão seja exposto aos agentes patogênicos reais na rua, em praças ou no contato com outros animais, seu corpo estará preparado para neutralizá-los antes que a infecção se instale de forma grave.

A aplicação dessas vacinas é considerada obrigatória (vacinas essenciais ou core) pelas diretrizes mundiais de saúde animal, pois previnem surtos epidemiológicos de altíssima mortalidade.

Quais animais devem ser protegidos?

Embora todos os cães precisem da imunização, o risco e a abordagem variam conforme a idade e o estilo de vida. Abaixo, detalhamos o grau de risco em caso de não vacinação:

Fase de Vida Grau de Risco (sem vacina) Doenças de maior ameaça Observações clínicas
Filhotes (4 a 16 semanas) Altíssimo Parvovirose, Cinomose A imunidade materna (via colostro) cai progressivamente, criando uma janela de extrema vulnerabilidade.
Adultos Jovens (1 a 7 anos) Alto Leptospirose, Hepatite Cães ativos que frequentam parques e creches têm maior exposição ambiental a vírus e bactérias.
Cães Idosos (Acima de 7 anos) Moderado a Alto Doenças respiratórias, Leptospirose O sistema imune envelhece (imunossenescência). A avaliação de títulos de anticorpos ou reforço anual é vital.
Fêmeas Prenhes Específico Transmissão congênita Não devem receber vacinas atenuadas durante a gestação. A imunização deve ocorrer antes do acasalamento.

Tipos e classificações: V8, V10 e Vacinas Importadas

A grande dúvida dos tutores reside nas diferenças entre as nomenclaturas e procedências das vacinas.

Diferença entre V8 e V10

Ambas protegem contra as principais doenças virais: Cinomose, Parvovirose, Hepatite Infecciosa Canina, Adenovirose tipo 2, Coronavirose e Parainfluenza Canina. A diferença exata está na proteção contra a Leptospirose (bacteriana):

  • Vacina V8: Possui proteção contra 2 cepas (sorovares) da bactéria Leptospira (L. canicola e L. icterohaemorrhagiae).
  • Vacina V10: Possui proteção contra as 2 cepas da V8, adicionadas de mais 2 cepas (L. grippotyphosa e L. pomona), totalizando 4 cepas.

A escolha entre V8 e V10 depende da região endêmica onde o cão vive e deve ser indicada pelo veterinário.

Vacina Nacional x Vacina Importada (Ética)

As chamadas vacinas importadas são vacinas éticas, ou seja, vendidas e aplicadas exclusivamente por médicos veterinários, mantendo um controle rigoroso de refrigeração (cadeia de frio). Elas garantem alta eficácia. Já as vacinas de balcão (nacionais, vendidas em lojas agropecuárias sem supervisão) frequentemente falham devido a erros de armazenamento e manuseio, deixando o cão desprotegido.

Causas e fatores de risco de cães não vacinados

A ausência do protocolo vacinal adequado expõe o animal a riscos fatais presentes no ambiente cotidiano. Os fatores de risco incluem:

  • Passeios precoces: Levar filhotes à rua antes da última dose da vacina.
  • Ambientes endêmicos: Áreas com muitos cães de rua, locais com presença de roedores (fator para leptospirose) ou abrigos superlotados.
  • Falha vacinal: Uso de vacinas de má qualidade ou aplicação feita por pessoas não habilitadas.
  • Queda imunológica: Estresse agudo, má nutrição ou presença de parasitas (vermes) que enfraquecem a resposta do organismo à vacina.

Sintomas mais comuns das doenças prevenidas

A V8 e a V10 previnem doenças que causam sintomas severos. Caso o animal não seja vacinado, ele pode apresentar:

  • Cinomose: Secreção ocular e nasal espessa, febre, espasmos musculares, convulsões e paralisia (sinais neurológicos frequentemente irreversíveis).
  • Parvovirose e Coronavirose: Vômitos persistentes, diarreia líquida profusa e sanguinolenta, desidratação rápida e choque severo.
  • Leptospirose: Icterícia (mucosas amareladas), urina escura, insuficiência renal e hepática agudas.
  • Hepatite Infecciosa: Dor abdominal intensa, febre, letargia profunda e edema de córnea (olho azul).
  • Doenças Respiratórias (Adenovírus e Parainfluenza): Tosse seca e persistente, espirros e febre (conhecida como tosse dos canis).

Como é feito o protocolo de vacinação veterinária?

O sucesso da imunização não depende de uma única injeção, mas de um protocolo estratégico para contornar os anticorpos maternos que podem inativar a vacina no filhote.

  1. 1ª Dose: Aplicada aos 45 dias de vida (6 a 8 semanas). O animal deve estar previamente vermifugado.
  2. 2ª Dose: Aplicada entre 21 e 28 dias após a primeira dose.
  3. 3ª Dose: Aplicada entre 21 e 28 dias após a segunda dose.
  4. 4ª Dose (Recomendação moderna): Muitos protocolos atuais indicam uma quarta dose por volta das 16 semanas de vida para garantir a resposta em cães de raças sensíveis (como Rottweiler e Pitbull).
  5. Reforço Anual: Uma dose única deve ser aplicada a cada 12 meses, por toda a vida do animal, ou guiada por testes de titulação de anticorpos.

Possíveis reações e manejo clínico

A vacinação é um procedimento seguro, mas, como todo biológico, pode gerar respostas no organismo. O veterinário deve orientar o tutor sobre:

  • Reações normais (até 48h): Leve apatia, sono prolongado, dor no local da aplicação e febre baixa.
  • Nódulo transitório: Um pequeno caroço pode surgir no local da injeção e deve desaparecer em poucas semanas.
  • Reações anafiláticas (Emergência): Edema facial (rosto inchado), urticária (placas vermelhas), vômitos e dificuldade respiratória logo após a aplicação. Requerem intervenção veterinária imediata com antialérgicos e corticosteroides.

A vacina garante imunidade vitalícia?

Não. A imunidade conferida pelas vacinas Múltiplas não é permanente. A proteção contra os vírus (Cinomose, Parvovirose, Hepatite) costuma durar mais, podendo ultrapassar um ano, dependendo do sistema imune do cão.

Entretanto, a proteção bacteriana, especificamente contra a Leptospirose, é de curta duração. Em áreas de alto risco, os anticorpos contra a Leptospira caem após 6 a 8 meses. Por isso, o reforço anual da V8 ou V10 (ou a aplicação semestral de vacina isolada para leptospirose em cães de fazenda) é indispensável para o controle da doença e qualidade de vida do cão.

Prevenção: como garantir o sucesso da vacinação

Para que a V8 ou V10 cumpra seu papel preventivo integral, algumas práticas são necessárias:

  • Avaliação Clínica: Nunca vacine um cão doente, apático ou com diarreia. A vacina só funciona em organismos saudáveis.
  • Vermifugação em dia: Uma alta carga parasitária “distrai” o sistema imunológico, reduzindo a eficácia da vacina.
  • Isolamento seguro: O filhote só pode passear nas ruas e parques 15 a 21 dias após a última dose do protocolo primário.

As doenças prevenidas podem passar para humanos?

Das doenças incluídas nas vacinas V8 e V10, os vírus (Cinomose, Parvovirose, Hepatite) são espécie-específicos e não afetam humanos. Porém, há um alerta grave de saúde pública:

A Leptospirose é uma zoonose gravíssima. Cães não vacinados que contraem a bactéria através do contato com urina de rato tornam-se transmissores para seus tutores através de sua própria urina infectada. A vacinação do cão, portanto, protege a família humana que convive com ele.

Impactos da vacinação no bem-estar animal

Garantir o protocolo vacinal correto é o ato de amor mais profundo que um tutor pode ter. Doenças como a Cinomose causam dor indescritível, sofrimento neurológico prolongado e óbitos traumáticos. A vacinação garante que o animal possa expressar seu comportamento natural, interagir com outros cães em praças, creches e viagens, promovendo um bem-estar psicológico e físico sem o medo constante de infecções fatais.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Posso dar a vacina V8 ou V10 eu mesmo em casa?
Não. Vacinas precisam ser armazenadas em geladeiras com temperatura controlada e aplicadas após exame clínico rigoroso. Falhas nisso inutilizam a vacina, criando uma falsa sensação de segurança.

2. Qual é melhor: V8 ou V10?
Nenhuma é inferior à outra. A diferença está no número de cepas de leptospirose. A V10 protege contra mais duas cepas em relação à V8. O veterinário indicará a melhor opção conforme a região em que o animal vive.

3. Meu cachorro já é idoso, ele ainda precisa da vacina anual?
Sim. Cães idosos têm o sistema imunológico mais frágil e precisam do estímulo vacinal para se manterem protegidos, especialmente contra gripes e leptospirose.

4. Atrasou a vacina anual do meu cão em alguns meses. O que fazer?
Leve ao veterinário imediatamente. Na maioria dos cães adultos, apenas uma dose de reforço restabelece a imunidade, mas em casos de atrasos longos (anos), o veterinário pode recomendar um protocolo de re-primovacinação.

5. Gatos podem tomar a V8 ou V10?
Jamais. Gatos possuem protocolos e vacinas próprias (V3, V4 ou V5) para as doenças específicas dos felinos.

6. O filhote chora ou fica amuado após a vacina, é normal?
Sim, nas primeiras 24 a 48 horas é comum o animal apresentar letargia e sensibilidade local, semelhante à reação que bebês humanos têm com vacinas pediátricas.

7. A vacina V10 previne raiva?
Não. A vacina contra a Raiva (Antirrábica) é uma aplicação separada, também obrigatória por lei, geralmente administrada junto com a última dose da múltipla (aos 4 meses de idade).

8. É verdade que cães sem raça definida (SRD) não precisam de vacina?
Mito absoluto. Cães SRD adoecem e morrem de parvovirose e cinomose na mesma proporção que cães de raça se não forem imunizados adequadamente.

Conclusão técnica e educativa

As vacinas V8 e V10 representam a fronteira mais segura entre a vida saudável e as emergências clínicas fatais na rotina canina. Compreender que a imunização ética é um investimento e não um gasto é o primeiro passo para a tutela responsável.

Como especialistas, reforçamos que o acompanhamento veterinário não pode ser substituído. Cumprir os prazos do calendário vacinal, garantir a procedência do imunizante e avaliar o status de saúde do animal antes da agulha tocar a pele são deveres essenciais para assegurar a longevidade e a felicidade do seu melhor amigo.

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